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Feira de Santana -BA

 

O Sal do Nefrologista

Um dia, ao obter o título de especialista em Nefrologia, depois de angustiada  prova, vivi a ilusão que ser nefrologista bastaria, mas o Sistema Único de Saúde, que é modelar no desenho e distorcido na execução, não permite que se alimente ilusões. A falta de prioridade social que leva a permanentes glosas nos tratamentos médicos, de uma política justa e clara de remuneração, enquanto convivemos com reajustes que variam de 300 a 2000% no preço dos insumos hospitalares e no dólar, além da permanente elevação das tarifas públicas tornaram a realidade do nefrologista um filme de assombro. Enquanto isto, duas multinacionais do setor, com a conivência e a permissividade habitual do governo federal vem "comprando serviços" em todo país apesar de proibido pela constituição federal. O Brasil tem algo em torno de 2300 nefrologistas e  a diálise tem 540 centros, emprega 25.000 funcionários e trata 43.000 pacientes.

Atualmente parcela significativa de serviços já pertence a essas multinacionais que trabalham com administrações de fachada. Essas empresas são responsáveis pela diálise nos Estados Unidos, com mortalidade de 24%, enquanto na Europa a mortalidade é de 14%, no Japão é de 9% e no Brasil de 18%. Não devemos esquecer que nossa realidade social é cruel, nem tampouco as condições de nossos pacientes, que vivem em grau de extrema carência. O descaso e o desrespeito com que o governo federal tem tratado a saúde, no país, tem se refletido na nefrologia o que é diretamente demonstrado pela oferta, maior do que a procura, de vagas na Residência Médica. Ser nefrologista, portanto, exige mais do que apenas saber.

 Exige ser político para conseguir um credenciamento, ser administrador para fazer mágicas com o orçamento, ser feroz para enfrentar os desleais do ramo. É preciso ser muitos para ser nefrologista, mas  não desisto porque sei que um dia ser nefrologista apenas me bastará.

 


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